Eu não tenho medo de fracassar, pois o fracasso me faz voar mais alto

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Eu não tenho medo de fracassar e você também não deveria ter, porque são os erros que mais nos ensinam, errando é a melhor maneira de aprender. Esse incentivo deveria ser passado logo na infância para que as crianças fossem mais corajosas desde cedo.

Queremos que nossos filhos tenham sucesso na escola e talvez ainda mais importante, na vida. Mas o paradoxo é que os nossos filhos só podem realmente ter sucesso se eles primeiro aprenderem a falhar.

Considere a constatação de que patinadores de nível mundial caem na prática mais frequentemente que patinadores de baixo nível.

À primeira vista, isso parece contraditório.

Mas por que os patinadores realmente bons caem mais?

A razão é bastante simples.

Os principais patinadores estão constantemente desafiando-se, na prática, tentando saltos que estendem as suas limitações. É por isso que caem tantas vezes, mas é precisamente por isso que eles aprendem muito rápido.

Estima-se que Shizuka Arakawa, do Japão, sofreu cerca de 20.000 quedas progredindo de iniciante a campeã olímpica.

Patinadores de nível mais baixo tem uma abordagem muito diferente. Eles estão sempre tentando saltos que já são executados muito facilmente, permanecendo dentro de sua zona de conforto.

É por isso que eles não caem.

Olhando superficialmente, eles parecem bem-sucedidos, porque eles estão sempre em pé. A verdade, porém, é que se nunca falharem, nunca irão progredir.

O que é verdade na patinação também é verdade na vida

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James Dyson trabalhou em 5.126 protótipos fracassados do seu aspirador Dual Cyclone antes de chegar no desenho ideal que fez sua fortuna. Essas falhas foram essenciais para o percurso de aprendizagem.

Como Dyson diz: “Você não pode desenvolver novas tecnologias a menos que você teste novas ideias e aprenda quando as coisas dão errado. O NÃO é essencial para a invenção”.

Mesmo em áreas da vida onde a falha é potencialmente catastrófica, ela ainda é vital para alcançar respostas positivas.

Na aviação, por exemplo, todos os aviões são equipados com duas caixas pretas quase indestrutíveis: uma registra a informação eletrônica a partir dos computadores de bordo e a outra registra os sons na cabine.

Quando há um acidente, estas caixas são recuperadas e analisadas para que as alterações registradas possam ser promulgadas. Isto é necessário para que o mesmo erro não volte a acontecer.

É esta constante vontade de aprender com os erros que tornou a aviação um dos meios de transporte mais seguros do mundo.

No ano passado, a taxa de acidentes em grandes companhias aéreas foi de apenas um acidente para cada 8,3 milhões de decolagens.

Na área da saúde, no entanto, as coisas são muito diferentes

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Os médicos não gostam de admitir o fracasso, em parte porque eles têm egos inflados (especialmente os médicos seniores) e em parte porque temem litígios. A consequência direta é que os mesmos erros são repetidos.

De acordo com o Journal of Patient Safety, 400.000 pessoas morrem a cada ano em hospitais americanos devido a erro evitável.

Isso é como dois aviões jumbo quebrando todos os dias ou 9/11 acontecendo todos os dias.

No Reino Unido, os números são chocantes também.

Até a área da saúde aprender a lidar positivamente com o fracasso, as coisas não vão melhorar.

Mas voltemos às crianças

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Um dos erros seminais em educação na década de 1970, foi a tentativa de equipar as crianças com confiança quando atingiam o sucesso em alguma atividade.

A consequência foi que a autoestima das crianças se tornou ligada ao sucesso e eles se tornaram incapazes de assumirem riscos quando se deparavam com um desafio.

Precisamos inverter esta abordagem.

Em um mundo complexo, o fracasso é inevitável. São aqueles indivíduos e instituições que têm a capacidade de resistência e flexibilidade para enfrentar o fracasso, aprender as lições e adaptar-se, que acabam por sobressair-se.

Fonte: The Guardian